Doentes com Sida vivem mais 13 anos nos países desenvolvidos


Os avanços no fármaco utilizado para tratar o vírus VIH/Sida, conhecido como tratamento antiretroviral combinado (Cart), conduziram a um aumento da esperança de vida dos doentes, verificado no período entre 1996/ 99 a 2003/05, segundo a investigação.

Estes avanços levaram a que o vírus VIH/Sida deixasse de ser considerado uma doença fatal para começar a ser encarado como uma doença crónica, precisamente após a introdução deste tratamento combinado.

No entanto, o estudo, publicado pela Universidade de Bristol, no Reino Unido, alerta para o facto de que a esperança de vida dos infectados com o vírus continua a ser inferior à da restante população, especialmente aqueles que iniciam o tratamento tardiamente.

Para este estudo, os investigadores compararam a esperança de vida e variações na mortalidade em doentes tratados, ao longo de vários anos, com o tratamento antiretroviral, fármaco introduzido em 1996.

O professor Jonathan Sterne, da Universidade Britânica, em conjunto com colegas de outras nacionalidades, examinaram 14 estudos para analisar a evolução de 18.587, 13.914 e 10.584 doentes que iniciaram os tratamentos com o Cart em 1996/99, 2000/2002 e 2003/ 2005, respectivamente.

Um total de 2.056 infectados morreram durante esse período mas os índices de mortalidade desceram, tendo-se registado um decréscimo de 16,3 mortes/ ano em cada mil doentes, no período entre 1996/99, para 10 mil entre 2003 e 2005, uma redução de cerca de 40 por cento no número de óbitos.

Paralelamente, a esperança de vida para um doente que começou o tratamento com Cart aos 20 anos aumentou de um total de 56,1 anos em 1996/99 para 69,4 anos em 2003/05, um acréscimo de mais de 13 anos, de acordo com o estudo.

Nesta investigação foi também descoberto que os doentes toxicodependentes infectados através de seringas apresentam uma esperança de vida menor.

Por seu lado, as mulheres têm uma esperança de vida ligeiramente maior do que os homens, o que pode dever-se ao facto de, normalmente, as mulheres iniciarem mais cedo os tratamentos.

in Diário Digital/LUSA Online, 25Julho2008
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