Pensa bem ...


Teria sexo com uma pessoa que se recusa a fazer o teste para as Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST´s)*?


A ignorância é apontada como uma das muitas barreiras na prática de sexo seguro e para a diminuição da transmissão de Infecções Sexualmente Transmissíveis, ou seja, muitas pessoas nem sequer sabem que estão em risco de contraírem uma IST.

O que pensar sobre as pessoas que simplesmente se recusam a fazer o teste?

A Sexually Transmitted Diseases Test Express divulgou, recentemente, os resultados de um estudo sobre a saúde sexual e os testes para as IST´s. A pesquisa verificou que um terço dos entrevistados relataram que tiveram relações sexuais com pessoas que se recusam a fazer o teste de IST´s. A principal limitação deste estudo é o facto de ter sido baseado numa amostra de 100 pessoas que não foram escolhidos de forma aleatória. No entanto, torna-se claro que é necessária uma investigação mais profunda a este problema. Será interessante analisar se as pessoas que disseram que fizeram o teste disseram a verdade, bem como, se existem excepções nos casos dos que revelaram ter relações com pessoas que não sabem o seu estado de saúde.

Ser (Seguro) ou não Ser (Seguro) ... não é a questão para todos

Na Sociologia, e provavelmente noutras disciplinas, existe a preocupação da relação entre as diversas forças sociais, às vezes chamadas de estruturas sociais (por exemplo, política, religião, capitalismo), e a agência dos indivíduos, também conhecida como "livre-arbítrio". Embora todos tenhamos algum grau de livre vontade, algumas das coisas que fazemos, e até mesmo algumas do que nós somos, são directamente influenciadas pela sociedade - uma vez que estão parcialmente fora do nosso controle.

Nem todas as pessoas têm os mesmos recursos e poder, tal como se verifica na prática de sexo seguro e na regularidade dos testes às IST´s . Por exemplo, a Organização Mundial de Saúde verificou que, ainda hoje, existem diferenças na tomada de decisão sobre o uso de preservativo e a regularidade sexual, entre homens e mulheres, em muitos países. Em muitos casos as mulheres ficam sujeitas a um maior risco de consequências indesejadas e indesejáveis da actividade sexual, tal como contrair uma Infecção Sexualmente Transmissível, por não terem um papel activo na tomada de decisão.

É importante notar que a educação sexual, que permite ter acesso a informações precisas sobre saúde sexual, IST´s, saúde reprodutiva e práticas de sexo seguro, não está disponível para todos. Devemos todos nós como defensores da promoção da saúde sexual estar conscientes da relação entre desigualdade e saúde sexual (e da saúde em geral).


Adaptado do original de Eric Anthony Grollman, Kinsey Confidential (16 Março 2010)



* As Infecções Sexualmente Transmissiveis (IST´s) são infecções/doenças que se transmitem através de relações sexuais vaginais, orais e anais, ou de outros contactos íntimos. Possívelmente poderá encontrar, em diversos textos, a designação de Doenças Sexualmente Transmissiveis (DST´s), pois era o termo utilizado anteriormente. Alguns exemplos de IST´s: VIH/SIDA; Clamídia; Gonorreia ou blenorragia ; Herpes genital; Hepatite B; Vírus do Papiloma Humano-HPV; Sífilis e Infecções por tricomonas.
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