Serão os homofóbicos homossexuais?

 
 
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Pequeno trecho do documentário

Middle Sexes Redefining He and She

 
Neste pequeno vídeo podemos ver um lado menos conhecido da homofobia...

SINOPSE: Baseando numa pesquisa realizada nos anos 90, o documentário Middle Sexes Redefining He and She, exibido pela HBO, constata uma realidade, no mínimo, curiosa: os homofóbicos têm fortes probabilidades de serem gays não assumidos.

Realizada pela Universidade de Georgia, a pesquisa selecionou 64 universitários e dividiu-os em dois grupos: o primeiro com rapazes que mostravam ser homofóbicos e o segundo grupo com rapazes indiferentes à orientação sexual alheia. Em seguida, ambos os grupos assistiram a um filme gay pornográfico. Todos os rapazes foram ligados a aparelhos que medem o nível de excitação sexual. E o resultado foi, no mínimo, curioso: o grupo dos homofóbicos mostrou maiores níveis de excitação sexual com as imagens homoeróticas. Mesmo com a constatação, eles afirmaram não sentir qualquer tipo de excitação com o filme.

GAYS HOMOFÓBICOS

Segundo o psicólogo e terapeuta sexual João Pedrosa, o gay homofóbico ataca os homossexuais e a homossexualidade como forma de esconder sua verdadeira orientação sexual. É comum ouvirmos a afirmação de que o homofóbico é um gay latente. Não podemos generalizar ao afirmar que todos os homofóbicos são gays, mas parece que em muitos casos esta afirmação é verdadeira.

Muitos homossexuais não vivenciam sua homossexualidade, mesmo que clandestinamente, com medo da punição social. Estas pessoas, procuram assim prevenirem-se dos estímulos aversivos que são gerados pela punição à homossexualidade atacando os homossexuais. Esta contra-agressão é um comportamento de esquiva da sua própria orientação sexual. Estes são os homossexuais latentes. Rigidamente, a maioria, reprime a sua homossexualidade ao extremo. Ligam-se a organizações políticas, grupos reacionários ou religiosos que perseguem os homossexuais.

Para este fenómeno, nós psicólogos analistas do comportamento, usamos o termo fazer uma reação, que é quando uma pessoa se empenha num comportamento que é incompatível com o comportamento que tem consequências tanto reforçadoras (sinto vontade de fazer sexo gay) como aversivas (caso faça sexo gay poderei ser descoberto e punido).

O exemplo a seguir ilustra bem este conceito: um alto comandante do exército do Rio de Janeiro era conhecido no quartel pela feroz perseguição aos homossexuais: declarações homofóbicas; piadas de mau gosto; isolamento dos possíveis gays, dentre outros. Até que um dia, uma conhecida revista brasileira publica que este militar foi surpreendido pela polícia fazendo sexo com um rapaz dentro do seu carro numa rua deserta do subúrbio do Rio de Janeiro. Foi um estrondoso escândalo de caserna.

Outro exemplo recente é a do pastor evangélico americano Ted Haggard, conhecido pela sua cruzada contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ele foi acusado de fazer sexo com um prostituto.

Fazer uma reação pode ser interpretado, também, como um comportamento que remove estímulos que tornam o comportamento punível provável (não farei sexo gay para não ser descoberto e punido). O comportamento de fazer uma reação funciona como autocontrole. Ao fazer uma reação a pessoa controla a tendência de praticar o sexo homossexual, fazendo campanhas públicas contra os homossexuais. Agindo assim, é pouco provável que pratique o sexo gay e se sua campanha homofóbica ganha destaque e aprovação (é reforçada pela comunidade e média) a vontade de praticar o sexo gay será enfraquecida, mas não eliminada.
 
 
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