Dor e Prazer de mãos dadas?



Porque gostamos de morder o/a parceiro/a enquanto fazemos amor?
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É um facto: a cópula provoca muitas vezes vontade de morder, chupar, arranhar ... Que o digam muitas das pessoas adúlteras desmascaradas por chupões ou lacerações nas costas. Talvez se possa dizer que o acto amoroso desperta uma pulsão global e bucal, herdada do acto de mamar. Possuir é ingurgitar.

Porém, talvez haja outra explicação, mais fisiológica. Pode acontecer que a dor e o prazer não sejam assim tão diferentes. Imagine o rosto de uma pessoa com prazer ou que está a sofrer. A semelhança é perturbadora, não acha? O mesmo se passa com o som. Os gritos de dor e de prazer confundem-se. A etimologia caminha no mesmo sentido. A palavra "orgasmo" significou até ao Séc. XVII "acesso de cólera" e só ganhou um sentido sexual em finais do Séc. XVIII.

Fisiologicamente, sabe-se que o prazer atenua a dor. O que destrói o argumento da enxaqueca: pelo contrário, uma relação sexual tem um efeito analgésico. Acresce que a dor também pode criar uma forma de prazer. Mais precisamente, liberta opióides, substâncias que actuam como morfina. É por isso que, por exemplo, muitas vitimas de acidentes de viação podem estar bastante feridos mas a sua preocupação recai sobre a carroçaria, como se nada se tivesse passado. É possível que os masoquistas utilizem este fenómeno. O efeito analgésico da estimulação sexual associado ao dos opióides libertados pela dor, poderá explicar certas práticas - laceração dos seios, perfuração dos testículos, etc.

Como se não bastasse, os receptores cerebrais de dor e prazer são os mesmos. Com efeito, encontra-se uma região comum, no cérebro, entre a dor e o prazer. Essa região, chamada de córtex cingular, situada no meio do cérebro, intervém nomeadamente na pulsão que dá vontade de passar à acção. Ainda não existe nada de definitivo e as investigações, neste campo, ainda agora começaram. Importa não concluir pela existência de um único centro cerebral de prazer, tanto mais que, durante o orgasmo, o cérebro passa por um caos que se assemelha a uma espécie de epilepsia parcial, afirmam os neurologistas.

Adaptado do orignal de, Antonio Fischetti, A angústia do chato antes do coito, Editorial Bizâncio
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