«Não me faças essa cara!»




Actividade neural pode ajudar a regular
expressões faciais negativas entre parceiros




Todos nós já tivemos uma discussão com alguém que amamos. Como é que nos sentimos? Como é que nos comportámos? Os conflitos podem deixar-nos frustrados e fazer com que tenhamos comportamentos menos apropriados.

Após uma discussão, um dos parceiros poderá amuar, bater a porta e conduzir até um bar e afogar as mágoas em álcool. Estes dramas são estereotipados e um novo estudo, publicado na «Biological Psychiatry», sugere que o Córtex Lateral Pré-frontal (LPFC – Lateral Prefrontal Cortex) é uma região do cérebro que pode ajudar as pessoas a controlar reacções emocionais e expressões faciais negativas em parceiros românticos.

Christine Hooker, do departamento de Psicologia da Universidade de Harvard (EUA), e colegas, recrutaram participantes adultos, saudáveis e que mantivessem uma relação amorosa de compromisso com alguém para o estudo. Os investigadores avaliaram expressões façais positivas, negativas e neutras durante um ‘scanning’ cerebral. Os voluntários registavam a ocorrência de conflitos num diário, assim como os níveis de humores negativos, ruminações e o uso de substâncias.

A equipa de investigação chegou à conclusão que a actividade do LPFC em resposta ao desafio afectivo do laboratório previa auto-regulação, após um conflito interpessoal diário. Quando não havia conflito interpessoal, a actividade LPFC não aparecia relacionada com humor ou comportamento, no dia seguinte. No entanto, quando ocorria, nesse caso já se verificava uma relação com o mau humor e comportamento. Portanto, uma menor actividade foi ligada a maiores níveis de mau humor, ruminação e uso de substâncias.

Segundo os resultados, uma baixa actividade no LPFC pode representar um factor de risco para problemas de humor e comportamentais, após uma situação de stress interpessoal. A gestão construtiva de estados emocionais negativos que emerge inevitavelmente de relações românticas pode ser crítica para se conseguir lidar com o mundo.


Refúgio emocional

Este tipo de relações é normalmente um refúgio emocional para as tensões no mundo laboral. No entanto, também podem aumentar o stress e quando isso acontece, comportamentos problemáticos, tais como excessos alimentares e abuso de substâncias, podem aumentar.

John Krystal, editor da «Biological Psychiatry», comentou a importância da descoberta e refere que “quando activada no contexto de emoções intensas, o LPFC pode ajudar a gerir a intensidade de sentimentos negativos que surgem numa relação social. Quando esta região do cérebro não é activada de forma eficiente ou a intensidade do conflito é demasiado grande, as pessoas precisam de aprender estratégias comportamentais para lidar com respostas emocionais". O responsável editorial explica ainda que "a estratégia pode ser tão simples como contar até dez antes de fazer alguma coisa de que se podem arrepender mais tarde”.

Contudo, o estudo levanta importantes questões: Como é que os clínicos podem melhorar a função do LPFC quando este está comprometido? Estratégias cognitivas e comportamentais podem ser fulcrais no tratamento.

Christine Hooker sublinha que “a imagem pode fornecer informações potencialmente úteis sobre quem pode estar vulnerável ao humor e problemas de comportamento após uma discussão”. Acrescenta: “Esperamos que futuras investigações possam trabalhar esta ideia e explorar formas em que a imagem possa ser usada para informar as pessoas sobre suas vulnerabilidades emocionais".

Adaptado do original de cienciahoje, 03-03-2010
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