Fantasie ... mas saiba como



E viveram felizes para sempre. Eis o desfecho da maior parte dos filmes românticos que fazem sonhar muita gente com uma vida amorosa cheia de felicidade. Mas dos ecrãs à realidade vai um passo de gigante e imitar as estrelas pode até dar um resultado nada romântico.

A advertência é do sexólogo Fernando Mesquita, que lembra ao 24horas que a maior parte das pessoas "tem a noção de que a personagem que está no filme é uma realidade construída, inalcançável, enquanto o companheiro ou companheira que está ao lado é que nos dá felicidade real".

Por vezes, a tentação de realizar uma cena de um filme pode parecer tentadora. Mas convém não arriscar. "É preciso que se saiba se a outra parte vai mesmo gostar dessa surpresa. Os casais devem falar sobre o que vêem nos filmes para descobrirem quais as fantasias que partilham", explica o especialista.

Chegar a casa, ver a mesa posta, um jantar feito e velas acesas pode parecer muito bonito para uns, mas uma grande trabalheira para outros. "É preciso ter cuidado. Se estamos à espera que corra tudo tal e qual como aconteceu no filme é capaz de não dar certo e ainda acabar em discussão", alerta o psicólogo clínico.

A ideia de que algumas mulheres controem a ideia de um homem ideal através de peças de um puzzle de actores charmosos do grande ecrã (um pedaço do Brad Pitt com o charme do Sean Connery e uma pitada de...) é para o especialista, "um pouco exagerada". "As mulheres têm uma história pessoal onde vão fazendo uma idealização do homem, uma ideia pré-concebida, vão criando um mapa de referências e valorizam mais um tipo de aspectos do que outros, mas os filmes são apenas uma das fontes", diz.

E não se pense que só as personagens boazinhas interessam às mulheres. "Um estudo recente mostra que também há um fascínio pelos bad boys, os vilões dos filmes. Querem mudá-los ", avança.

Para o sexólogo, há um pormenor muito curioso no que diz respeito aos filmes românticos. "Raramente se faz uma sequela! Seria muito interessante fazer a continuação de muitas dessas histórias, retratando o que acontece três ou quatro anos depois, com o desgaste da relação, os filhos ... muitos seriam dramas!", considera.

A actriz Teresa Rolla, que muitos viram em "Morangos com Açúcar", lembra-se de uma excepção: "Fizeram o "Antes de anoitecer" (2004) depois do "Antes do amanhecer", porque a história não acabava bem no primeiro e a história tinha que acabar bem".

"A culpa é dos filmes da Walt Disney, que nos vendem os sonhos na infância. Mas quando chegamos a uma certa idade encaramos a vida e vemos que não é bem assim, que a realidade é diferente", diz Teresa Rolla.

Nada que aflija a actriz, agora estudante de Filosofia: "Não podia ser tudo sempre bom, de outro modo não conhecíamos o mal".



Entrevista dada a Ricardo Vilhena, Jornal 24 horas (12/04/2010)

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