Preconceito e Atracção: A beleza está em quem vê?

Muitos de nós somos atraídos por pessoas segundo a sua idade, raça e etnia, tamanho e forma corporal, e até mesmo da classe social, religião, cultura e nacionalidade.

Além da selecção que, normalmente, as pessoas fazem com base na sua orientação sexual, existem outros factores de atracção, como os gostos e preferências individuais. Certamente, por exemplo, que uma mulher heterossexual não se sente sexual e romanticamente atraída por todos os homens. Apesar de, por vezes, dizermos que nos sentimos atraídos por pessoas, por exemplo, divertidas, atenciosas, inteligentes, tendemos a escolher alguém com base na sua idade, raça e etnia, tamanho e forma corporal, e até mesmo a classe social, a religião, a cultura ou a nacionalidade.

Mas, não é beleza que comanda a atracção?

A expressão, "a beleza está nos olhos que de quem a vê", é óptima, pois permite-nos compreender porque motivo pessoas totalmente diferentes iniciam uma relação. Segundo um artigo publicado no Washington Post, quem, e o que, nós julgamos atraente é realmente muito mais coerente de "espectador" para "espectador" do que poderíamos imaginar:

Diversas pesquisas têm revelado que, as pessoas apresentam factores de atracção muito consistentes, inclusive na raça, sexo, idade, classe e background cultural. A simetria facial e uma pele clara são, também, universalmente apreciadas. Os homens são admirados pela sua altura, as mulheres são favorecidas se tiverem um corpo de “ampulheta”, e as minorias raciais recebem pontos segundo a sua cor de pele, e se tiverem características faciais Europeias e/ou penteados convencionalmente associados à raça caucasiana.

Sendo assim, de acordo com esta citação, os homens baixos, as mulheres obesas, e as pessoas de cor, vêm as suas capacidades de atracção diminuídas. Num estudo realizado recentemente, verificou-se que nos “encontros” on-line, as mulheres negras são preteridas face a mulheres de outros grupos raciais/étnicos e que os homens brancos são os mais procurados. Da mesma forma, entre homens gays e bissexuais, os homens negros são frequentemente menos procurados e muitas vezes são vistos como potenciais portadores de HIV.

Mas gostamos de quem gostamos, ou não?

Os padrões de beleza impostos pela sociedade são importantes por dois motivos: por um lado espelham as desigualdades sociais ao longo das diferenças de género, raça e etnia, classe social, tamanho e forma corporal, e por outro contribuem para “alimentar” essas desigualdades. O Washington Post refere, ainda que:

O preconceito associado à aparência também agrava as desvantagens baseadas no sexo, raça, etnia, idade, orientação sexual e classe. Os padrões de beleza predominantes penalizam as pessoas que não têm tempo e/ou dinheiro para investir na sua aparência. A discriminação associada a questões de peso, em particular, impõe custos adicionais às pessoas que vivem em comunidades com escassez de alimentos saudáveis e de instalações para a prática de exercício físico.

Os padrões de beleza impostos pela sociedade, muitas vezes favorecem determinados grupos sociais, tais como brancos em relação aos negros, os jovens face aos idosos, as pessoas mais magras perante as mais gordas, que tem várias consequências, tais como um impacto negativo na auto-estima dos indivíduos pertencentes aos grupos mais desfavorecidos. Consequentemente, esta baixa auto-estima vai ter implicações negativas na saúde, no bem-estar e na capacidade de sucesso, destas pessoas.

O preconceito e a discriminação com base na beleza e na forma física estão cada vez mais presentes como verdadeiros problemas sociais. Algumas das pessoas que não conseguem corresponder aos estereótipos sociais desejados correm o risco de desenvolver uma auto-imagem negativa e, como resultado, começarem a adoptar práticas sexuais de risco - às vezes porque se sentem impotentes para exigirem práticas de sexo seguro.


Adaptado do original de Grollman Anthony Eric, 29 Junho 2010

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