Liquido pré-ejaculatório



"Quando tenho uma ereção liberto um liquido viscoso, como se estivesse a ejacular. Isso é normal?"

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Caro leitor, pela sua descrição está a falar do fluido/líquido pré-ejaculatorio que é proveniente de duas glândulas que estão localizadas na zona da uretra, chamadas de glândulas de Cowper ou bulbouretrais. 

A principal função deste líquido é limpar e lubrificar o canal uretral para a passagem dos espermatozóides. Em termos gerais o que acontece é que a urina deixa a uretra com um pH ácido, que prejudica os espermatozóides no momento da ejaculação, e este liquido serve para neutralizar essa acidez. Caso contrário os espermatozóides morreriam quando ocorresse a ejaculação. 

Além disso, este líquido ajuda a lubrificar o pénis, pois evita o atrito entre a glande e o prepúcio. Este liquido é mais claro, não sai em jatos como ocorre na fase de ejaculação, e surge em alguns homens na fase de excitação. 

Em algumas situações este liquido surge nas ereções matinais e/ou nas ereções espontâneas não desejadas (por exemplo, as que ocorrem durante um exame, nas salas de aula). Em alguns homens nem é necessário haver ereção para que libertem este liquido. 

A quantidade de fluido libertada varia bastante de homem para homem e do ponto de excitação de cada um. Alguns homens libertam apenas uma pequena gota, antes de ocorrer a ejaculação, outros libertam grandes quantidades desde que ficam excitados. Esta variação depende do funcionamento de cada organismo e é absolutamente normal, mesmo que em abundância. 

Qualquer outro tipo fluidos, especialmente se tiverem uma tonalidade esverdeada ou semelhante a pus, devem ser avaliados pelo seu médico. Tenha em consideração que, apesar deste liquido não ser uma ejaculação propriamente dita, pode conter espermatozóides e, consequentemente, dar origem a uma gravidez.

Obrigado pela sua questão,


Psicólogo - Sexólogo Clínico
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As regras das relações abertas




Apesar das relações abertas permitirem sexo com estranhos,
 nem tudo é permitido

Pensar que as “relações abertas” são totalmente liberais é um mito! É claro que existem exceções, mas, geralmente, este tipo de relações tem regras estabelecidas.

Apesar do fundamento básico, neste tipo de relações, ser a liberdade para a troca de parceiros sexuais, isso não significa que não existam limites na cama (ou fora dela).

Uma das regras básicas de quem pratica sexo casual, fora de casa, é usar preservativo nas relações extraconjugais. É por isso que alguns destes casais dispensam o uso de preservativo entre si, o que apesar de tudo é um risco.

Tudo pode acontecer a qualquer momento e, se para alguns casais esse risco pode ser excitante, para outros é o fim da relação. 

A possibilidade de surgir um rival no plano afetivo é o principal fantasma das relações abertas. Isso leva a que, outra regra frequente seja limitar as aventuras ao âmbito sexual. Por isso, este tipo de relações extraconjugais costuma estar vetado a amigos ou conhecidos. Em alguns casos só são permitidas as relações em viagens e limitadas a um único encontro.

As regras são feitas para serem cumpridas, porém, podem e devem ser mudadas se não forem satisfatórias para um dos lados. É necessário que o casal tenha consciência plena dos seus desejos, necessidades e limites individuais antes de estabelecerem qualquer tipo de “regras”. Apesar de a fidelidade ser um conceito bastante flexível, neste tipo de relações, é preciso terem noção que existem imprevistos…



MITOS E VERDADES DAS RELAÇÕES ABERTAS:
Todas as relações abertas envolvem sexo.
MITO - depende das regras estabelecidas pelo casal. Pode haver liberdade para se envolverem a diversos níveis, segundo o que acordaram: se são permitidos beijos na boca, se podem sair sozinhos com o terceiro elemento, se podem haver relações sexuais sem estarem os dois presentes, se apenas é permitido o flirt com outras pessoas, etc.

As relações abertas estão condenadas a poucos anos.
MITO - a duração das relações depende mais da felicidade, confiança, respeito, comunicação e projetos em comum, no casal, do que se é uma relação aberta ou fechada.

O risco de encontrar "alguém" é maior.
MITO - se a relação não estiver bem, a probabilidade de surgir alguém existe, quer seja uma relação aberta ou fechada.

Há mais ciúmes numa relação aberta.
MITO - os ciúmes têm muito mais a ver com o indivíduo do que com o tipo de relação.


TIPOLOGIA DAS RELAÇÕES ABERTAS:

.:  Egoísta: apenas um dos parceiros pode sair com outros;
.: Pirulito: não pode haver penetração, mas são permitidas as carícias, beijos e  sadomasoquismo; algumas incluem sexo oral;
.: Recheio: o casal escolhe um terceiro elemento para sexo a três;
.: Banquete de casamento: sexo a três, numa orgia com mais pessoas presentes;
.: 7 de setembro: sexo independente, sempre separados; algumas incluem contar para o parceiro; outras não.
.: Tribalista: "eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também". Tudo é permitido, no sexo, quer estejam juntos ou separados.
.: Poliamor: é possivel o envolvimento emocional. Pode haver evolução para namoro a três ou mais pessoas.


Existem ainda "subtipos", como relações que vetam algumas práticas sexuais específicas.

Adaptado do original de A CAPA

Monogamia ou Monotonia?



Infidelidade  - sem ela, as novelas não teriam a menor graça – ou seriam muito menos apimentadas. Pense nos milhares de letras de tango e de bolero, nas canções cheias de dor de cotovelo ou de romantismo descabelado e crespo. Ela aparece em toneladas de filmes, romances, peças de teatro, poemas. Ocupa grande parte das conversas entre vizinhos, amigos e colegas de trabalho. E pode estar dentro de você.

Recentemente foi publicado, nos Estados Unidos, um livro do psicólogo David Barash e da psiquiatra Judith Eve Lipton onde se procura destruir o mito da monogamia. Escrito com enorme graça e fluência, The Myth of Monogamy: Fidelity and Infidelity in Animals and People (“O mito da monogamia: fidelidade e infidelidade em animais e pessoas”) é uma bordoada erudita na propalada ideia de que homens e mulheres seriam naturalmente predispostos a viver juntos até que a morte os separe. Barash e Lipton mostram que são outras coisas – bem distantes das coloridas certidões de casamento e de funestos atestados de óbito – que costumam unir ou desunir os casais.


Barash e Lipton afirmam que, entre os humanos, a monogamia é um misto de preceitos religiosos, pragmatismo económico (como a necessidade de regular o direito à propriedade privada), um toque de influência social (reconhecimento da prole), e uma dose de comodismo. “Nem todas as pessoas estão dispostas a frequentar o instável e arriscado mercado dos encontros”, explicam os autores. Mais: que, além desses fatores, a monogamia existiria única e exclusivamente devido ao empenho isolado e contínuo de cada casal. “O mais poderoso mito que envolve a monogamia é aquele que diz que, ao encontrarmos o amor das nossas vidas, nos dedicaríamos inteiramente a ele”, afirma Barash. “A biologia mostra que há um lado irracional e animal no comportamento humano.

A sociedade cria freios para tolher esse “lado irracional”, dizem Barash e Lipton. A condenação do adultério pelo sexto mandamento é um exemplo disso. No entanto, a Bíblia contém vários personagens que "pulavam a cerca". Consta que o rei Davi mantinha seis esposas e Salomão era notório pelas suas 700 esposas e mais de 300 concubinas. O imperativo da monogamia, mostram os autores, surge quando as sociedades passam por processos de normalização, como criação de propriedade privada e toda a legislação ligada ao direito de herança e sucessão. O que não quer dizer que isso tenha ocorrido em todas as culturas humanas. Muitas delas, ao contrário, parecem estimular a parceria múltipla.


Variedade é a palavra de ordem na natureza... 


E por que simplesmente as mulheres não se dedicam à prática monogâmica? Afinal, tratando-se de humanos, não dá para reduzir a discussão a critérios biológicos. Há entre nós fatores mais complexos, como o amor. “Mulheres preferem esperar e escolher”, explica Barash. Por isso é que às mulheres pode ser atribuída a tarefa de uma seleção mais rigorosa dos parceiros, o que depura a espécie e garante a plena sobrevivência de uma linhagem saudável.


Ao contrário dos homens, cuja estratégia evolutiva é dispersar o sémen pelo mundo fora, as mulheres optaram por ser "objeto" de disputa. Não é à toa que, no vasto mundo animal, é o macho que dispõe de “armas” (penas coloridas, grandes chifres, músculos cultivados em academia), todas surgidas da competição e dos rituais de corte entre machos e fêmeas.


O que nenhuma explicação científica parece dar conta é do componente fundamental das relações humanas: o amor. Sentimentalismos (e biologia) à parte, é o amor que sedimenta o envolvimento entre dois humanos que se gostam. O amor pode até ser uma invenção cultural – assim como a própria monogamia entre muitas sociedades –, mas o homo sapiens é formado por um feixe de elementos culturais.



Adaptado do original de Mega arquivo



POMPOAR - Técnica da Musculação Sexual



A técnica do POMPOAR teve origem na Ásia, o seu nome é uma variação da palavra francesa para bombear. Pompoar é o controle dos músculos circunvaginais (PC ou músculo pubococcígeo), onde a mulher que domina essa técnica ficará com a musculatura da vagina mais forte e conseguirá sentir e proporcionar maior prazer sexual.
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Para transferir este método para a actividade sexual, experimente comprimir e relaxar o seu músculo PC, comprimindo ao mesmo tempo o pénis do seu parceiro, durante a penetração vaginal. Poderá ainda dar um toque extra ao próprio clímax fazendo a mesma técnica enquanto recebe sexo oral. Isto poderá ser uma mais-valia para atingir o orgasmo. Mas vá com calma. O real poder desta técnica não está na aceleração dos movimentos, mas na força do seu músculo. Quanto mais fortalecido ele estiver, melhores as sensações que irá ter.
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A técnica de pompar é indicada para situações como:
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  • Evitar cirurgias de correcção de incontinência urinária.
  • Evitar a flacidez, e fazer com que os músculos pélvicos fiquem mais fortes, permitindo ao parceiro sentir melhor o órgão genital da mulher e vice-versa.
  • Dependendo de cada organismo, poderá diminuir as cólicas menstruais.
  • Com o fortalecimento e controle dos músculos pélvicos a mulher consegue um maior controle no parto normal, tornando-se mais fácil e rápido ter o bebé.
  • O pompoar pode ajudar a mulher a sentir mais prazer, pois além da musculatura ficar mais forte torna-a mais sensível aos estímulos.

Infantilismo



"Tenho fetiche em ser tratado como uma criança..."

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Caro Dr., sou solteiro, moro sozinho, com situação financeira estável e já tive experiências sexuais com ambos os sexos. Tenho um fetiche que é o infantilismo. Além disso, estive com uma mulher quando estava a amamentar e acabei por ter prazer com o leite materno. Agora sofro de lactomania. O que poderei fazer?

S.P. - Montijo


A nossa resposta

Caro leitor o infantilismo é uma parafilia que consiste no desejo ou excitação em ser tratado como uma criança, usando fraldas e outros acessórios infantis. A maioria dos casos está associada a traumas de infância ou à falta de afeto e atenção com a presença de um irmão recém-nascido. A lactofilia também é uma parafilia que consiste no prazer em beber o leite dos seios de uma mulher em lactação. 

Muitas vezes as parafilias estão associadas a questões mal resolvidas que impedem o desenvolvimento normal, nas mais diversas áreas da vida social, afetiva, sexual e/ou profissional, de forma saudável. As causas do infantilismo são muitas e estão diretamente ligadas à infância, ao íntimo e ao subconsciente de cada pessoa, cabendo única e exclusivamente a essa pessoa avaliar se isso traz, ou não, algum malefício ou beneficio à sua vida adulta e se ela deseja ou não mudar esse comportamento. 

Sei que apesar de todo o prazer que estas práticas sexuais lhe possam proporcionar, também lhe parecem estranhas, que não são normais e, com isso, tem um sentimento de culpa ou desconforto. Imagino que escreve esta carta porque sente que precisa de ajuda. Parabéns por essa iniciativa! Agora precisa dar mais um passo, que é ir a um psicólogo para que o possa ajudar.

Obrigado pela sua questão


Psicólogo - Sexólogo Clínico
Tel: 969091221


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Como é que se esquece alguém que se ama?


Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está? 

As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar. 

É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução. 

Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha. 

Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado. 

O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.


Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'


Será que ele é gay?



"Como posso saber se ele é gay?"

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Namoro há dois meses com um rapaz, mas começo a pensar que ele é gay. Sempre que estamos com os meus amigos, não me liga nenhuma e parece estar sempre a seduzi-los. O que poderei fazer para ter a certeza?

P.G. - Abrantes


A nossa resposta

Cara leitora se espera uma resposta para saber se o seu namorado é heterossexual, gay, bissexual, ou outra coisa qualquer, não vai encontrar em livros ou revistas. No fundo, a única pessoa que consegue responder à sua questão é o seu namorado! 

Procure um momento, em que ambos estejam calmos e que não possam ser interrompidos, para ter uma conversa sincera com ele. Poucas pessoas conseguem ser honestas em situações que se sentem pressionadas, julgadas, atacadas ou até odiadas. 

Aceite que ele pode não ter uma resposta imediata para as suas perguntas. Algumas pessoas não conseguem definir claramente a sua própria orientação sexual. Nem todas sentem que se “encaixam” nos padrões da heterossexualidade ou homossexualidade exclusiva. 

Independentemente da orientação sexual do seu namorado, quando falar com ele, aborde a vossa relação como um todo e não apenas sobre esta questão em particular. Para isso, pense noutras situações da vossa vida (em separado e como casal). 

Por vezes podemos cair na armadilha de procurar um “bode expiatório” para justificar todas as nossas atitudes. As dúvidas que coloca não terão como propósito evitar confrontar-se com outras questões? 

Uma vez que esta questão pode ser emocionalmente complicada para ambos procurem a ajuda de um psicoterapeuta qualificado.

Obrigado pela sua questão


Psicólogo - Sexólogo Clínico
Tel: 969091221


Veja outras questões dos nossos leitores aqui.

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HIV provoca "suicídio em massa" das células de defesa





Um processo inflamatório seguido por uma forma “explosiva” de morte celular está por trás da destruição do sistema de defesa de quem tem HIV, de acordo com duas pesquisas publicadas recentemente nas revistas “Nature” e “Science”.

Os estudos vão além, ao propor que um anti-inflamatório que já está em testes com humanos para tratar psoríase (doença inflamatória que se manifesta na pele) e epilepsia seja avaliado em pessoas com HIV, para evitar que suas células de defesa CD4 morram.

Os trabalhos, feitos pelo laboratório liderado pelo pesquisador Warner Greene, dos Institutos Gladstone, nos EUA, afirmam ter desvendando pela primeira vez os caminhos químicos exatos que levam a essas reações responsáveis pela morte da maior parte das células de defesa CD4, linfócitos que são o alvo do HIV.

Diferentemente do que se possa pensar, só uma minoria das células CD4 morre por causa da infecção pelo HIV propriamente dita.

Em aproximadamente 95% das células que morrem, a causa foi o “suicidio” após tentativas frustradas do vírus de completar seu ciclo.

O “ideal” para o HIV é ligar-se ao linfócito CD4 e escravizá-lo para produzir novas partículas virais. Mas na maioria dos casos o processo de replicação não se completa, deixando só restos de DNA viral na célula.

Os restos causam uma reação inflamatória que leva à morte da célula. Esse processo “explosivo” espalha o conteúdo do citoplasma da célula morta, que contém substâncias pró-inflamatórias. Elas atraem novas CD4 e o ciclo começa de novo.

Como o próprio nome indica, a SIDA (síndrome da imunodeficiência adquirida) é caracterizada pela redução da capacidade do corpo de manter duas defesas. Hoje, as drogas do coquetel anti-HIV conseguem interferir no processo de replicação do vírus, reduzindo sua presença no corpo, mas não acabam com ela completamente.

Se fosse possível evitar a destruição do sistema imune, a pessoa ficaria só com o vírus em circulação, mas sem sofrer seus efeitos.

Adaptado do Original de Mega Arquivo

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Porque se diz "Ele tem tomates"?


Porque se diz que uma pessoa corajosa "Tem tomates"?

A relação entre coragem e testículos não é evidente, a priori. A maioria dos homens ja deve ter reparado que, em situação de fraqueza devido ao frio ou ao medo, os testículos encolhem e se recolhem no corpo.

Muito provavelmente a descoberta da castração ocorreu por acaso, na sequência de um acidente que teria castrado a vitima. É verdade que a castração é conhecida desde a Antiguidade. Não sei quem foi que teve a ideia de castrar um homem ou um touro. Seja como for, descobriu-se que um animal sem testículos era mais dócil, desenvolvia mais gordura e interessava-se menos pelo deboche, o que era prático, tanto para os animais de quinta como para os guardas de haréns.

Como é evidente, a endocrinologia não era conhecida. Serão necessários muitos séculos até a biologia demonstrar que os testículos produzem uma hormona masculina, a testosterona. Esta hormona actua sobre o corpo, contribuindo para produzir músculo, mas também sobre o cérebro e o pénis, por intermédio da sua acção na libido e na erecção. Estes efeitos são visíveis nos homens submetidos a castração por razões médicas: a libido diminui bruscamente devido à quebra da testosterona. Não obstante, este facto não permite deduzir a existência de uma relação simples entre a testosterona e a sexualidade.

É conhecido, por exemplo, o efeito de retroalimentação no circuito da testosterona: a testosterona aumenta a actividade sexual, mas também aumenta graças a esta última (os homens segregam mais testosterona enquanto vêem um filme pornográfico). É por isso que é difícil dizer se os engatatões vão para a cama mais vezes porque têm mais testosterona, ou se têm mais testosterona porque vão para a cama mais vezes.

Algumas investigações mostram que a testosterona induz uma certa forma de agressividade: aumentaria, por exemplo, imediatamente antes de uma competição desportiva. Mas esta associação entre a testosterona e o "ter tomates" pode levar a cometermos pelo menos 3 erros:

O primeiro consiste em fazer da coragem uma característica relacionada com a testosterona. É verdade que aumenta a libido e, talvez, em certa medida, a agressividade, mas nada tem que ver com o carácter. Um indivíduo pode ser corajoso sem ser megalómano ou maníaco do sexo, e, inversamente, o cobarde agressivo e libidinoso é uma realidade.

Mesmo que a testosterona aumentasse a coragem, o segundo erro está em transformá-la numa característica exclusivamente masculina. Com efeito, as mulheres também produzem testosterona nos seus ovários - em menor quantidade que os homens nos seus testículos, mas produzem. Na mulher, de resto, é a subida da testosterona que aumenta o desejo quando a ovulação se aproxima.

E, em terceiro lugar, o poder da testosterona deve ser relativizado. Como demonstraram algumas investigações,a testosterona, para actuar, transforma-se, em certas situações, numa hormona feminina - o estradiol.

Acabámos de apresentar boas razões para repor no seu devido lugar o velho mito que situa as virtudes masculinas nos "penduricalhos". Homens e mulheres possuem hormonas masculinas e femininas simultâneamente, e é tempo de acabar com esse mito de uma dualidade psicológica baseada nas hormonas.

O mito gerou muitos absurdos, como o de alimentar a ideia de uma "força de carácter" instalada nos testículos. Apesar da sua popularidade, a expressão "ter tomates" é machista e infundada.

Adaptado do original de "A angústia do chato antes do coito", Antonio Fischetti