Maioria das mulheres desconhece métodos inovadores


Implante subcutâneo (sob a pele), anel vaginal e adesivo contraceptivo são três métodos anticoncepcionais que se encontram disponíveis no mercado nacional, alguns desde 2000, mas que ainda são bastante desconhecidos das mulheres. A pílula e o preservativo são os métodos mais conhecidos e usados.

Para divulgar os métodos contraceptivos inovadores e a saúde sexual e reprodutiva das pessoas com deficiência está a decorrer a 6ª Semana de Esclarecimento Contraceptivo, até domingo, uma iniciativa promovida pela Associação para o Planeamento Familiar (APF).

A ginecologista Maria José Alves, antiga presidente da APF, admite ao CM que ainda existe desconhecimento por parte das mulheres e alguma falta de informação dos profissionais de saúde. "A contracepção é difícil porque implica um ritual e aceitação dos efeitos secundários, que muitas vezes desaparecem com a continuidade, e ainda há mulheres mal aconselhadas."

Para esclarecer melhor as mulheres, salienta Maria José Alves, é preciso "formação contínua dos médicos de Clínica Geral e dos ginecologistas". Só com formação e informação contínuas, os clínicos podem indicar às mulheres qual o método que mais bem se adequa a cada, especialmente se têm alguma doença. As mulheres mais jovens são quem mais ‘convence’ o parceiro a usar o preservativo, por comparação com as mais velhas.


TRÊS MÉTODOS COM ALTO GRAU DE EFICÁCIA
O implante sob a pele é um método contraceptivo de longa duração: o efeito pode prolongar-se de três a cinco anos. É inserido no antebraço por um profissional. O grau de eficácia é muito elevado (99,8 por cento ou 0 a 0,07 gravidezes por ano em cada cem mulheres). Outro método alternativo é o anel vaginal. É colocado pela mulher e deve ser mantido durante três semanas, parando uma semana, período em que vai libertando estrogéneo e progestagéneo, hormonas que entram na corrente sanguínea e inibem a ovulação. O grau de eficácia é elevado (0,4 a 1,2 gravidezes por ano em cada cem mulheres). O terceiro método, o adesivo contraceptivo, tem um grau de eficácia próximo dos 98 por cento. É aplicado no braço, costas, abdómen ou na nádega uma vez por semana, durante três semanas.


DEFICIENTES TÊM DIREITOS

Maria José Alves, ginecologista da Maternidade Alfredo da Costa, considera que as pessoas com deficiência, designadamente deficientes mentais, têm direito a expressar a sua sexualidade. Porém, a especialista faz uma ressalva: "As pessoas com deficiência têm direito à sua sexualidade e devem ter acesso aos métodos contraceptivos de acordo com as suas capacidades e limitações. No entanto, a família ou as pessoas que estão directamente relacionadas ou responsáveis por elas devem ser envolvidas na questão, até porque este assunto – a sexualidade – pode ser perturbador se não for devidamente esclarecido."


APONTAMENTOS
São os grupos mais jovens de mulheres que afirmam não estar suficientemente informadas sobre os métodos contraceptivos disponíveis.

É nas raparigas que predomina o esquecimento da pílula num maior número de ciclos.

O ginecologista é a pessoa mais referida para a opçãopela pílula ou DIU (Dispositivo Intra-Uterino). O preservativo é aconselhado maioritariamente pelas amigas.

Dores de cabeça, instabilidade no ciclo menstrual, náuseas e variação de humor, infecção ou irritação são alguns efeitos secundários dos métodos contraceptivos. Não há métodos isentos de efeitos secundários.


SAIBA MAIS

CONVERSA DE MULHERES

A maioria das mulheres fala sobre contraceptivos com o ginecologista e com amigas.

99,6 Por cento das inquiridas de um estudo das Sociedades Portuguesas de Ginecologia e Medicina da Reprodução conhece a pílula, mas só 70 por cento a usa.

70 por cento das inquiridas que usam a pílula esquece-se de tomar a pílula um a três ciclos por ano.



GRAVIDEZ SUSPEITA
Apesar de usarem a pílula, 37 das inquiridas suspeitou de gravidez.


Cristina Serra, In Correio da Manhã Online, 23 Setembro 2008
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